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Os homens chamaram o amor de Eros porque ele tem asas ; os deuses chamaram de Pteros porque eles têm a virtude de doá-las.

  • eduverdelho
  • 13 de mar.
  • 2 min de leitura
As asas do amor que liberta
As asas do amor que liberta


Asas que se ganham: uma reflexão sobre o amor divino e humano**


Desde os tempos antigos, o amor é um mistério que tentamos desvendar com palavras. Os gregos, tão hábeis em nomear o indizível, criaram termos para cada nuance desse sentimento. Mas há uma frase atribuída à tradição platônica que nos convida a ir além da superfície: *“Os homens chamaram o amor de Eros porque ele tem asas; os deuses chamaram de Pteros porque eles têm a virtude de doá-las.”*


Nesta simples distinção entre o nome humano e o nome divino do amor, reside uma sabedoria profunda sobre a natureza de amar e ser amado.


**Eros: o amor que tem asas**


Para os mortais, Eros é a figura alada. É a paixão que nos arrebata, que nos faz voar sem destino certo, muitas vezes tontos e deslumbrados. As asas de Eros são as da atração, do desejo, da beleza que nos cega e nos eleva. É um amor que se *tem* — sentimos que possuímos asas quando amamos, que somos capazes de voar acima do mundane. No entanto, como Ícaro, sabemos que voar muito perto do sol pode ser perigoso. Eros é intenso, mas pode ser efêmero; é livre, mas pode ser egoísta. Suas asas nos pertencem, mas nem sempre nos levam aonde precisamos ir.


**Pteros: o amor que dá asas**


Já os deuses, na sua sabedoria, chamam o amor de Pteros. Pteros não é o amor que se tem, mas o amor que se *dá*. É a virtude divina de conceder asas ao outro. Se Eros nos faz voar sozinhos, Pteros nos ensina a ensinar o outro a voar. É o amor que não prende, que não busca posse, mas que oferece liberdade e impulso. É o amor de quem olha para o ser amado e quer vê-lo alçar voos cada vez mais altos, mesmo que seja para longe de si.


Talvez a grande jornada do ser humano seja aprender a transformar Eros em Pteros. Começamos apaixonados pelas asas que *temos* ao lado do outro, mas a maturidade do amor está em querer dar asas, em ser o vento sob as asas de quem se ama. É o amor que cura, que liberta, que eleva sem aprisionar.


**E nós, entre o céu e a terra?**


Vivemos entre estas duas definições. Quantas vezes amamos com asas que só sabiam bater para o nosso próprio voo? Quantas vezes fomos amados por alguém que nos deu asas, mesmo sem saber nomear essa virtude?


A beleza da frase está em nos lembrar que o amor verdadeiro carrega um toque divino: ele não apenas voa, mas capacita o outro para o voo. É um amor que não se contenta em ser sentimento; ele transborda em ação, em apoio, em generosidade.


Que possamos, em nossas relações, buscar esse amor que dá asas. Que sejamos deuses uns para os outros, mesmo na nossa humanidade imperfeita. E que, ao final, descubramos que o maior voo não é o que damos sozinhos, mas aquele que ajudamos alguém a dar.






 
 
 

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